Há alguns anos tenho observado o quanto nós brasileiros temos um certo receio em assumir posições de liderança perante outros países ditos “desenvolvidos”. Essa falta de auto estima nacional e, em alguns casos, até de respeito pelo próprio país eu costumo chamar, sem intenção de desrespeitar ninguém, de síndrome de vira-latas.
Quando sobrevivemos à crise econômica de 2008 sofrendo alguns arranhões e poucos hematomas, em oposição às grandes feridas que foram abertas nas “grandes nações” e que sangram até hoje, não soubemos reconhecer a nossa força. A forte estrutura do nosso sistema financeiro implementada pelo governo FHC e mantida pelo governo Lula, além das inteligentes medidas anti-crise criadas pelo governo atual, seriam motivo suficiente para endeusar qualquer governo europeu. Mas para nós o Brasil “não fez mais que a obrigação”.
No setor energético nosso país também é exemplo para qualquer outro. A matriz energética mais limpa e com um índice de sustentabilidade tanto econômica como ambiental altíssimo mereceria, no mínimo, os parabéns de quem a utiliza. Nosso BioDiesel, que passou a ser levado a serio após uma gestação de cerca de 30 anos, e que é destacado por estudos internacionais como um dos grandes protagonistas de uma futura revolução mundial verde, ao lado da energia eólica, também deveria ser motivo de orgulho nacional.
O protagonismo brasileiro em lutas mundiais como no combate à miséria na África, nas missões pacificadoras do Timor e do Haiti, a liderança de grupos como o G-20, o Mercosul e outros tantos G’s que surgem a cada ano são claros exemplos que não somos “qualquer um” perante os outros países. Só nós, os brasileiros não reconhecemos isso.
Nós temos um patriotismo quadrienal e que dura cerca de 3 a 4 meses, dependendo da colocação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de Futebol. Nessa época, e só nessa época, é possível reconhecer um certo sentimento nacional aflorado. Carros com bandeiras verde e amarelas, roupas e acessórios destacando o “orgulho de ser brasileiro”, pessoas defendendo o Brasil com unhas e dentes em qualquer discussão… mas só até julho.
Em momento algum defendo que ser patriota representa se pintar de verde e amarelo. Ser patriota é muito mais que isso, e definir o patriotismo é quase impossível em poucas linhas. Mas, indiscutivelmente, o primeiro passo é amar o Brasil de forma incondicional. Valorizar aquilo que é nosso e defender os interesses de nosso país, colocar o Brasil acima dos interesses político-eleitorais ou pessoais e pensar em verde e amarelo seria um grande começo e que não demanda muito esforço, basta querer. Pense nisso.